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BRB perde mais de um milhão de clientes em um ano: crise financeira agravada

Fonte: Valor Econômico
BRB perde mais de um milhão de clientes em um ano: crise financeira agravada

O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise sem precedentes, perdendo quase 1 milhão de clientes bancários no último ano. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), o número de pessoas físicas e jurídicas com contas na instituição caiu cerca de 10%, passando de 8,83 milhões de clientes em setembro para menos de 7,85 milhões no mesmo período do ano anterior. A perda se intensificou principalmente nos últimos trimestres, com uma queda acumulada de mais de 376 mil clientes desde o início de 2026.

A crise financeira do BRB ganhou força após a negativa da compra do Banco Master no ano passado. A instituição foi forçada a assumir R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente sem lastro, gerando um rombo de R$ 6,6 bilhões que precisa ser financiado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O caso envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. Paulo Henrique Costa, presidente do BRB à época das negociações com o Master, também foi detido.

Como isso afeta o bolso do leitor

A perda de clientes e a crise financeira do BRB podem impactar diretamente os consumidores que mantêm contas na instituição. Em casos extremos, pode haver restrições no acesso aos serviços bancários, redução de benefícios ou até mesmo falência da instituição, o que afetaria depositantes e usuários de empréstimos. Além disso, a instabilidade financeira do BRB pode gerar desconfiança no setor bancário local, influenciando decisões de consumo e investimento.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), propôs utilizar receitas futuras do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como garantia para o empréstimo necessário ao BRB. No entanto, as instituições financeiras têm receio de que o governo distrital possa recorrer à Justiça no futuro para não pagar as prestações, alegando que os recursos do FPE e do FPM são essenciais para o Distrito Federal.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que cabe ao Judiciário garantir que os recursos sejam usados para pagar as instituições financeiras. Já o relator do caso, ministro Luiz Fux, não assegurou que a Corte dará essa garantia.

Enquanto isso, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, buscou alternativas no exterior, agendando uma viagem para Dubai em busca de um empréstimo. As negociações com grandes bancos no Brasil ainda estão em andamento, mas a pressão por soluções imediatas cresce.

A crise do BRB serve como alerta sobre os riscos da falta de transparência e de gestão financeira sólida em instituições bancárias. A dependência de garantias futuras e a dificuldade de encontrar financiamento são sinais de fragilidade que podem afetar não apenas o BRB, mas também os clientes e a confiança no sistema financeiro como um todo.

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