A indústria de transformação do Brasil teve um terceiro trimestre desafiador, com uma redução na produção e sinais de desaceleração. Segundo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a atividade industrial mostrou resultados negativos no período, reforçando a previsão de queda de 0,4% em 2026, com riscos para o desempenho em 2027.
A economia da indústria está se desacelerando
O levantamento de conjuntura da Fiesp aponta que os salários reais médios caíram 1,1% no trimestre, as horas trabalhadas recuaram 0,4%, e as vendas reais tiveram uma queda de 0,2%. Isso interrompeu dois trimestres consecutivos de alta da produção industrial.
A redução nas horas trabalhadas é ainda mais preocupante: já ocorre pelo sexto trimestre seguido. Em setembro, apesar do aumento leve nos salários (0,1%), as horas trabalhadas caíram 0,4%, mantendo a tendência de queda desde os últimos meses de 2025.
O que está impactando a indústria?
Entre os fatores que estão pressionando o setor, a Fiesp destaca a Selic elevada (taxa básica de juros do Brasil), as sobretaxas dos EUA aos produtos brasileiros, que subiram para 37,5% na maioria dos itens não isentos, e os custos crescentes de matérias-primas — especialmente insumos derivados de petróleo, impactados pela guerra no Oriente Médio.
Além disso, a demanda interna continua frágil. O comprometimento da renda dos brasileiros atingiu 28,9% da renda anual, e a inadimplência de pessoas físicas no crédito livre chegou a 7,6%, o maior patamar em 13 anos.
Como isso afeta o bolso do leitor?
Com uma indústria menos produtiva, os preços dos produtos podem subir ou manter-se estáveis. No entanto, se houver escassez de insumos e aumento de custos, a inflação pode se manter elevada.
Para o consumidor comum, isso significa que os gastos com bens duráveis — como automóveis, eletrodomésticos e móveis — podem ficar mais caros ou menos acessíveis. Além disso, a desaceleração industrial pode impactar diretamente o emprego, aumentando as dificuldades para quem busca uma vaga no setor.
Como isso pode me impactar?
Se você investe em fundos de renda fixa ou ações de empresas industriais, a queda na produção e os custos crescentes podem afetar o desempenho desses ativos. Investidores mais conservadores devem reavaliar seus portfólios para reduzir riscos em um cenário incerto.
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