A Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas do Brasil, vai aderir ao mercado livre de gás natural no Estado do Rio de Janeiro a partir de 1º de novembro. A decisão foi formalizada por meio de um acordo entre o governo estadual, a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) e a Naturgy, que estabeleceu um limite mínimo de consumo para enquadramento como consumidor livre em 10 mil metros cúbicos por dia.
Essa mudança trará flexibilidade operacional à empresa, permitindo que compre gás diretamente de produtores ou fornecedores, ao invés de depender exclusivamente das distribuidoras. A Braskem explica que essa estratégia vai facilitar o acesso e a distribuição do gás entre suas unidades no Rio, assim como em outros Estados onde já está no mercado livre, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia.
De acordo com Gustavo Checcucci, diretor de energia e descarbonização industrial da Braskem, a mudança pode trazer ganhos operacionais significativos. Ele estima que a unidade no Rio possa aumentar sua produção em 2%, um número relevante considerando o cenário atual da indústria petroquímica global.
Como isso afeta o bolso do leitor
Para o consumidor final, essa mudança impacta indiretamente. A Braskem consome cerca de 2 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural em todas as suas unidades no Brasil, e a redução de custos com o gás pode se refletir na competitividade da empresa, potencialmente contribuindo para preços mais acessíveis de produtos petroquímicos no mercado.
Como isso pode me impactar?
Se a Braskem conseguir obter gás natural a preços mais baixos, os custos de produção podem diminuir, o que pode gerar ganhos competitivos e, em teoria, beneficiar consumidores finais ao longo do tempo. No entanto, isso depende da operação da empresa e da dinâmica dos mercados.
A petroquímica atua no mercado livre por meio de sua controlada Voqen, que também gerencia a energia para outros clientes. Cabe aos Estados definirem os critérios para a migração ao mercado livre, já que as regulamentações variam conforme a região.
Consumidores residenciais, comerciais e usuários de gás natural veicular (GNV) continuarão sendo atendidos pelas distribuidoras, mesmo com a abertura do mercado industrial. A agência responsável pela regulação afirma que o processo ocorre de forma gradual, preservando os direitos dos consumidores cativos.
A decisão da Braskem também foi reforçada pelo leilão de gás da União da Pré-Sal Petróleo (PPSA), realizado em 22 de outubro. A empresa foi uma das vencedoras e acredita que o acesso ao gás mais barato trará benefícios importantes para suas operações.
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