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Crédito no Brasil cresce 0,4% em setembro, mas desaceleração persiste

Fonte: Valor Econômico
Crédito no Brasil cresce 0,4% em setembro, mas desaceleração persiste

O saldo das operações de crédito no sistema financeiro brasileiro teve um aumento de 0,4% em setembro, chegando a R$ 7,444 trilhões. Esse crescimento é o menor ritmo desde fevereiro de 2024 e reflete o impacto da política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central (BC) ao longo do ano.

Além disso, a taxa média de juros na economia subiu pela segunda vez consecutiva, atingindo 32,4% ao ano no mês passado. Esse aumento é particularmente visível nos empréstimos realizados com recursos livres, que tiveram uma elevação de 0,5 ponto percentual – passando de 48,5% para 49,0%.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros subiu ainda mais: alcançou 62,4% ao ano em setembro, com um aumento de 0,6 ponto percentual no mês. Segundo o chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, “a transmissão da política monetária não é tão direta”, explicando por que os juros continuam subindo mesmo com as reduções recentes na Selic.

O spread bancário também cresceu nos últimos dois meses. Mesmo com uma queda na taxa de captação dos bancos, as instituições financeiras elevaram as taxas cobradas dos clientes, aumentando o risco percebido no mercado. Isso indica que os bancos estão mais cautelosos devido ao aumento da inadimplência e ao cenário macroeconômico desafiador.

Como isso afeta o bolso do leitor

Para quem busca financiamento ou empréstimos, a desaceleração no crescimento do crédito e a elevação dos juros podem dificultar o acesso a recursos. Além disso, os consumidores que já estão endividados podem enfrentar custos mais altos para quitar suas dívidas.

Os analistas do Citi destacam que tanto o crédito a famílias quanto ao setor empresarial estão mostrando uma desaceleração marcante. No caso dos empréstimos pessoais, o crescimento anual caiu de 17,6% em janeiro para apenas 6,8% em setembro.

O Goldman Sachs alerta que as condições de crédito podem se tornar ainda mais difíceis nos próximos meses. Isso ocorre por causa da política monetária restritiva, do abrandamento do crescimento econômico, do aumento das taxas de inadimplência e do elevado nível de endividamento das famílias.

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