A partir da Resolução CNSP nº 491/2026, a formalização da proteção patrimonial mutualista no Brasil está alterando profundamente o setor de rastreamento veicular. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) estabeleceu prazos e exigências que impactam diretamente as centrais de monitoramento, especialmente aquelas que atendem associações de proprietários de veículos. Até 7 de maio de 2028, as associações devem firmar contrato com uma administradora autorizada pela Susep e enviar o documento ao órgão regulador. O prazo para cadastramento foi encerrado em julho de 2025, mas até então, 2.217 associações se registraram na Susep, segundo dados oficiais.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 registrou um total de 308.440 roubos e furtos de veículos no Brasil em 2025, reforçando a necessidade de sistemas mais robustos de proteção. Estimativas da Susep indicam que até 8 milhões de novos veículos poderão ser incorporados à frota protegida em 2026, um número que exige maior transparência e tecnologia nas centrais de rastreamento.
Como isso afeta o seu bolso
Para quem possui veículo e está associado a uma cooperativa ou sindicato de proprietários, as novas regras podem aumentar os custos no curto prazo. As centrais de rastreamento que não atendem aos critérios da Susep (como integração com o sistema CAN-bus dos carros e capacidade de exportação de dados) podem ser excluídas do mercado, forçando as associações a migrar para fornecedores mais robustos. Isso pode resultar em taxas mais altas ou contratos mais complexos.
O termo “CAN-bus” refere-se ao sistema eletrônico de comunicação dentro do veículo, responsável por conectar componentes como o motor, freios e sensores. Sua integração com as centrais de rastreamento é essencial para evitar fraudes, como a instalação de módulos em veículos de baixo valor (ou até motos) para simular sinistros.
Desafios tecnológicos e regulatórios
André Luiz Ota, CEO da Ikonn — empresa especializada em sistemas de rastreamento — afirma que a nova legislação transforma centrais de monitoramento em “braços de auditoria tecnológica” das associações. Centrais que usam softwares genéricos ou plataformas fechadas podem enfrentar dificuldades para comprovar o funcionamento adequado dos rastreadores, especialmente em casos de roubo.
A Susep exige agora a exportação de um “dossiê forense incontestável” que prove que os dispositivos estavam operando corretamente até o momento do crime. Para isso, as centrais precisam ter engenharia de sistemas capazes de preservar a imutabilidade dos dados coletados.
O impacto no mercado
As associações passarão a priorizar fornecedores com infraestrutura robusta e segurança nos dados. Critérios como alta disponibilidade, isolamento de dados multi-tenant (ou seja, garantir que os dados de uma associação não se misturem com outra) e capacidade para lidar com o volume massivo de dispositivos IoT serão decisivos.
As centrais que dependem de plataformas fechadas ou “de prateleira” podem enfrentar dificuldades para integrar-se a sistemas de gestão da associação (como ERPs) ou para exportar dados sob demanda. Isso pode limitar seus contratos com as maiores cooperativas do país.
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