Adoção acelerada de inteligência artificial
A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, revela que 17% das empresas brasileiras com dez ou mais funcionários usaram tecnologias de IA em 2025, aumento de 4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Entre as grandes corporações, a adesão chega a 50%, mas 80% dessas empresas optaram por soluções prontas de fornecedores externos, enquanto apenas 26% desenvolveram sistemas internamente.
Riscos da dependência de terceiros
A escala de uso de IA traz desafios para a governança corporativa. Guilherme Friol, CEO da Friol Enterprise, destaca casos em que empresas construíram sistemas exclusivamente sobre plataformas de fornecedores, ficando expostas a aumentos abruptos nos custos e à perda de autonomia tecnológica. “Em um caso recente, o preço de uma plataforma de IA quadruplicou em dois anos, forçando uma empresa automotiva a reescrever do zero seu sistema”, afirma.
Regulação em andamento
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados já prevê direitos dos usuários sobre decisões automatizadas. Já o PL 2338/2023, aprovado pelo Senado, tramita na Câmara para definir marco legal da IA. Na Europa, o AI Act, revisado em julho de 2026, estabelece que regras para sistemas de alto risco entrem em vigor em 2 de dezembro de 2027 e 2 de agosto de 2028. Empresas brasileiras que operam ou usam IA no bloco europeu precisarão se adaptar a essas exigências.
Desafios operacionais
A Gartner projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica sejam cancelados até 2027, por custos elevados e falta de clareza sobre valor gerado. Friol destaca a necessidade de diretorias dominarem três competências: governança de dados, leitura de arquitetura tecnológica e gestão de risco de fornecedores.
Como isso pode me impactar?
Empresas que dependem de soluções externas correm riscos de custos imprevisíveis e perda de autonomia. Para mitigar isso, diretorias devem exigir cláusulas contratuais claras, planejamento de continuidade para funções críticas e capacidade de operar sem depender exclusivamente de um fornecedor. A governança eficiente não exige desenvolvimento interno de IA, mas entendimento profundo de como os sistemas externos afetam a empresa.
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