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BB Seguridade e o impacto do El Niño: desafios para 2027 e expectativas de mercado

Fonte: Valor Econômico
BB Seguridade e o impacto do El Niño: desafios para 2027 e expectativas de mercado

Sinistralidade em alta, mas sem impactos imediatos

A BB Seguridade prevê aumento da sinistralidade (percentual de indenizações pagas em relação aos prêmios recebidos) em 2027, especialmente nos seguros agrícolas. O diretor financeiro Rafael Sperendio destacou que o fenômeno climático El Niño pode causar seca no norte do Mato Grosso do Sul e Goiás, além de excesso de chuvas no sul do país. No entanto, ressaltou que os danos esperados não são tão significativos para o lucro da empresa, com base em dados históricos que mostram maior sinistralidade durante o La Niña.

Impactos macroeconômicos e queda nas emissões de seguros

O cenário para o seguro rural e prestamista permanece restritivo em 2027, segundo Sperendio. A BB Seguridade revisou suas projeções para 2026, esperando agora uma queda de 11% a 15% nas emissões de seguros agrícolas — contra previsão anterior de até 3%. Isso reflete a desaceleração nos prêmios emitidos: em 2026, o seguro agrícola caiu 34,3%, enquanto o penhor rural recuou 17% e o prestamista, 10,3%. O único setor com crescimento foi o residencial (25%).

Como isso afeta o seu bolso?

Embora os impactos do El Niño não sejam materiais para a lucratividade da BB Seguridade no curto prazo, a pressão sobre os seguros agrícolas pode levar a ajustes futuros. Se houver aumento de indenizações, isso poderia influenciar preços de prêmios ou coberturas em longo prazo — algo que afeta especialmente produtores rurais e agricultores familiares, que dependem desse tipo de seguro para mitigar riscos climáticos.

Analistas alertam para desafios futuros

Apesar do lucro no terceiro trimestre ter superado as expectativas (R$ 2,43 bilhões), analistas como o BTG Pactual e o Citi destacaram preocupações com a trajetória operacional. O BTG mantém recomendação neutra para ações da BB Seguridade, enquanto o Citi e Itaú BBA sugerem venda, com preços-alvo entre R$ 32 e R$ 40. A pressão sobre renegociações contratuais com o Banco do Brasil também é vista como um risco para 2027.