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Como Evitar Novas Dívidas Após Negociação: Dicas de Especialista

Fonte: Valor Econômico
Como Evitar Novas Dívidas Após Negociação: Dicas de Especialista

O ciclo vicioso da inadimplência

Fechar um acordo de dívida sem avaliar a real capacidade de pagamento pode levar à reincidência em poucos meses. A especialista Nádia Pace, com 20 anos no mercado financeiro e experiência com 20 mil pessoas atendidas, alerta que 86,72% dos inadimplentes em agosto de 2026 já tinham histórico de dívidas nos últimos 12 meses. Isso mostra um problema estrutural: 42% dos negativados estavam com dívida há dez anos.

Três verificações essenciais antes de qualquer negociação

1. Verificar se o valor cobrado é justo

Muitas vezes, descontos aparentemente altos podem mascarar juros acumulados. Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil que virou R$ 100 mil com juros pode ser reduzida a R$ 50 mil com 50% de desconto — ainda assim, cinco vezes o valor original.

2. Analisar o Raio-X do orçamento

O Raio-X reúne dados dos dois meses anteriores, do mês corrente e a projeção dos próximos dois com a nova parcela incluída. Um desconto de 70% em uma dívida de R$ 100 mil (que cai para R$ 30 mil) pode parecer excelente, mas se não couber no orçamento real, vira um novo problema.

3. Preservar a reserva de emergência

Zerar contas para quitar débitos deixa o consumidor exposto a imprevistos. Nádia recomenda usar o 13º salário para formar essa reserva antes de negociar, pois “o acordo vem com o que sobra”.

O perigo do cartão de crédito e juros abusivos

Entre os endividados, 47% apontam o cartão como a maior preocupação. Em setembro de 2026, os juros rotativos chegaram a 451,7% ao ano (Banco Central). “Pagar só parte da fatura joga o resto no rotativo”, alerta. A dívida média dos ouvidos pela especialista é de R$ 50 mil.

Direitos e proteções legais

A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) garante que quem negocia em boa-fé não pode ser considerado caloteiro. A Corte Especial do STJ também definiu que a penhora de salário só ocorre excepcionalmente, após falha de outros meios de cobrança e sem prejudicar o sustento da família.

Como agir quando a proposta não cabe?

A especialista recomenda registrar a intenção de quitar, anotar protocolos e manter negociações periódicas. “Recusar um acordo que não para no pé é também boa-fé”, enfatiza.

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