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Operação Azzardo: Lavagem de dinheiro com fintech e apostas ilegais no DF

Fonte: Valor Econômico
Operação Azzardo: Lavagem de dinheiro com fintech e apostas ilegais no DF

Operação contra lavagem de dinheiro envolve fintech e apostas ilegais

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação, nesta quinta-feira (5), para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão por meio de uma rede de apostas ilegais. O grupo utilizou a A55 Sociedade de Crédito Direto, uma fintech autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto (SCD), conforme investigações da polícia.

Como o esquema funcionava

Pagamentos feitos via Pix para a plataforma eram redirecionados a empresas com atividades aparentemente legais, como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas localizadas em Sobradinho, no DF. As investigações revelaram que as empresas foram abertas entre fevereiro e julho de 2026, com capitais sociais idênticos e endereços concentrados em áreas do Distrito Federal.

Redes de fachada e uso de criptoativos

Durante as diligências, os policiais encontraram imóveis vazios e estabelecimentos comerciais. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas indicavam o mesmo telefone. O esquema usava dezenas de empresas de fachada para concentrar valores e redistribuí-los entre pessoas físicas, jurídicas e até instituições financeiras, incluindo a conversão em criptoativos.

Ação envolveu múltiplas cidades

A operação, batizada de Azzardo (referência ao jogo de azar), contou com apoio da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e mobilizou cerca de 200 policiais civis de vários estados. Em São Paulo, as equipes cumpriram mandados na região da avenida Brigadeiro Faria Lima (Pinheiros) e no polo empresarial da Vila Olímpia. Em Goiás, as buscas ocorreram em Goiânia, Planaltina e Valparaíso de Goiás.

Bloqueio de ativos e possíveis penas

O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 jurídicas, totalizando até R$ 3,483 bilhões. Bens mantidos em instituições reguladas pelo Banco Central e pela CVM também foram indisponibilizados. Os investigados podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, estelionato eletrônico e organização criminosa, com penas que variam de 11 anos e seis meses a 33 anos.

Impacto no sistema financeiro

A operação expõe riscos no uso de fintechs e canais como o Pix para lavagem de dinheiro. Para o público, o caso reforça a necessidade de transparência e fiscalização rigorosa em plataformas financeiras, especialmente aquelas que podem ser usadas para ocultar fluxos ilegais.

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