A Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do Brasil e do mundo, teve um lucro líquido de R$ 4,366 bilhões no terceiro trimestre de 2026. Esse valor representa uma queda de 10,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, quando ajustado por fatores não recorrentes, como desinvestimentos e impactos tributários de 2025, o lucro líquido ficou em R$ 4,393 bilhões — um aumento de 14,3%.
O crescimento do lucro ajustado foi impulsionado por um aumento no Ebitda (lucro antes de juros, impostos e amortizações) e pela redução das despesas financeiras líquidas. Contudo, esse resultado foi parcialmente compensado pelo aumento nas despesas com imposto de renda.
Como isso afeta o bolso do leitor
Para os investidores que possuem ações da Ambev ou fundos imobiliários e outros produtos que incluem ações da empresa, essa variação no lucro pode influenciar diretamente o valor dos ativos. A performance do setor de bebidas está sendo impactada por fatores externos como clima adverso, mas também por estratégias internas, como o crescimento das marcas premium e das opções de consumo saudável.
Como isso pode me impactar?
Para quem investe em ações da Ambev ou em fundos que possuem exposição à empresa, a variação no lucro líquido pode afetar a valorização do papel. Ainda assim, a empresa continua com uma margem Ebitda ajustada elevada de 33,7%, o que indica solidez operacional.
Globalmente, os volumes de vendas da Ambev ficaram estáveis no terceiro trimestre, totalizando 42,385 milhões de hectolitros. Apesar da queda de 0,1% em relação ao ano anterior, houve um crescimento orgânico de 0,8%, impulsionado principalmente por regiões como NAB Brasil (+3,6%), América Central e Caribe (+2,3%) e Cerveja Brasil (+0,5%).
A receita líquida da empresa cresceu 3,6% no período, chegando a R$ 21,594 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento do volume de vendas e pela melhora na receita por hectolitro.
Desafios climáticos e oportunidades de mercado
Um dos desafios da Ambev tem sido o clima mais frio em regiões importantes para o consumo, especialmente no Sudeste do Brasil. Apesar disso, a empresa conseguiu manter um crescimento orgânico positivo nos volumes.
A indústria de cerveja também teve uma recuperação sequencial, com crescimento de aproximadamente 4% no período, segundo dados da Nielsen. Esse aumento foi impulsionado pela Copa do Mundo da Fifa e por estratégias focadas em novas ocasiões de consumo.
Crescimento de segmentos premium e wellness
O portfólio Premium da Ambev continua sendo um dos principais motores de crescimento, enquanto o segmento Wellness — que inclui cervejas sem glúten, com menos calorias e zero álcool — cresceu 157% em volume no trimestre. Marcas como Michelob Ultra e Stella Pure Gold estão contribuindo para esse aumento.
O portfólio Zero Álcool também teve um desempenho forte, registrando crescimento de 43% no trimestre. Esse movimento reflete a crescente demanda por opções alinhadas a estilos de vida mais equilibrados.
A Ambev destacou que está focada em inovação e na evolução do portfólio para atender uma gama mais ampla de consumidores. A empresa também mencionou que já realizou o hedge (proteção contra variações cambiais) da sua exposição ao dólar para todo o ano de 2027, como parte de sua estratégia de gestão de riscos.
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