O Bank of America (BofA) revisou suas expectativas e agora projeta que a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, terminará o ano de 2026 em 14,25%. Anteriormente, essa projeção era de 13,25%.
O economista-chefe para o Brasil, David Beker, afirma que as condições macroeconômicas ficaram menos favoráveis para novos cortes na taxa Selic. Ele destaca a piora recente da dinâmica inflacionária e a elevação das expectativas de inflação como principais fatores.
Além disso, o BofA observa que a atividade econômica continua sendo sustentada por estímulos fiscais e expansão do crédito. Isso mantém a demanda aquecida e dificulta a desaceleração necessária para controlar a inflação.
O banco também destaca riscos adicionais, como o El Niño e a jornada de trabalho 6×1, que podem aumentar ainda mais a persistência da inflação nos próximos anos. Isso limita o espaço para novas flexibilizações monetárias e sugere um período prolongado de juros altos.
Apesar do cenário desafiador, o BofA não prevê elevações adicionais na Selic até meados de 2027. As taxas reais permanecem restritivas em 9,5%, indicando que a política monetária deve manter-se rigorosa.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 4,37% para 4,68%. As expectativas de inflação continuam acima da meta do Banco Central. Mesmo com a queda dos preços internacionais do petróleo e uma taxa de câmbio próxima de R$5,05 por dólar, o BofA projeta inflação ao redor de 3,5% no horizonte relevante da política monetária.
Com juros mais altos por um período prolongado, aplicações de renda fixa e títulos públicos indexados à taxa básica devem se beneficiar. Empresas dependentes do crédito e consumo podem enfrentar dificuldades com custos financeiros elevados.
A perspectiva de juros mais altos influencia diretamente as estratégias de alocação de recursos entre renda fixa, variável e câmbio. As próximas divulgações econômicas serão cruciais para formação das expectativas do mercado.
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