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Crise no Ueno Bank: colapso de banco paraguaio afeta milhões e gera instabilidade política

Fonte: Valor Econômico

Crise no Ueno Bank: colapso de banco paraguaio afeta milhões e gera instabilidade política

O colapso do Ueno Bank, sexto maior banco do Paraguai, revela uma crise financeira que impacta diretamente a vida de mais de 1 milhão de correntistas e desencadeia consequências políticas no país. A intervenção do Banco Central, que declarou o banco insolvente, expõe práticas questionáveis como empréstimos ilegais para empresas ligadas ao Grupo Vázquez — holding controlada por Miguel Vázquez, acionista majoritário preso. O caso também afeta investidores internacionais: um empréstimo de US$ 20 milhões concedido pelo BID Invest não foi reembolsado integralmente.

Desvios e excessos no Ueno Bank

Durante uma inspeção do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2025, os representantes do BID Invest identificaram sinais de alerta: luxo desproporcional nas instalações do banco — incluindo salas privativas com chefs e mordomos —, além de uma taxa de inadimplência de apenas 2%, muito abaixo da média do setor. Esses indícios se concretizaram com a descoberta de empréstimos ilegais entre empresas do Grupo Vázquez, que excederam os limites legais e não foram classificados corretamente.

Impactos no bolso dos clientes

A crise afeta diretamente mais de 1 milhão de paraguaios que abriram suas primeiras contas bancárias pelo Ueno, muitos deles em situação de pobreza. O sistema de garantia de depósitos do país cobre até US$ 38 mil por conta, mas os correntistas com valores acima desse limite enfrentam dificuldades para recuperar o dinheiro. A desvalorização dos títulos do banco, que caíram de US$ 350 milhões em março para abaixo de 10 centavos no mercado internacional, amplia a perda para investidores estrangeiros.

Consequências políticas e sociais

O colapso do Ueno Bank desencadeou uma crise política: o presidente Santiago Peña, que era investidor na holding controladora do banco, colocou seu cargo à disposição sob ameaça de impeachment. O ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo — que trabalhou no Ueno antes da crise — renunciou após a intervenção regulatória. Manifestações populares exigem respostas sobre o desaparecimento de recursos públicos e os responsáveis pelo colapso.

O papel do governo brasileiro

O caso também reflete uma reviravolta nos esforços do governo dos EUA para ampliar sua influência na América Latina, especialmente em um contexto de competição com investimentos chineses. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, havia se reunido com Peña duas semanas antes da crise, enquanto o Paraguai era apontado como modelo de lealdade a Taiwan.

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