Suspensão da sessão sobre renúncia de Santiago Peña
O Congresso do Paraguai suspendeu, nesta quinta-feira (5), uma sessão conjunta para analisar a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña. A decisão foi motivada pela ausência de parlamentares governistas no plenário, o que gerou falta de quórum para a votação. Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña justificou sua decisão dizendo que ela foi tomada “pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas”.
Processo de impeachment avança no Senado
Enquanto a análise da renúncia era adiada, a Câmara dos Deputados paraguaia aprovou o impeachment de Peña por unanimidade, com 78 votos a favor. O processo agora segue para o Senado. A oposição defende o impeachment como forma de evitar que Peña mantenha imunidade parlamentar após deixar o cargo. Pela Constituição paraguaia, presidentes renunciados se tornam senadores vitalícios com foro privilegiado, o que impediria processos judiciais contra eles. Caso sofra impeachment, Peña perderá esse direito.
Vice-presidente Pedro Alliana assume a cena política
Enquanto isso, o vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, está posicionado para assumir a presidência do Paraguai. Ex-governador (2008-2012) e ex-líder do Partido Colorado, Alliana tem experiência em política externa e liderança parlamentar. Sua ascensão ocorre no contexto de uma crise envolvendo o Banco Master paraguaio, que fechou suas portas após um déficit em solvência relacionado a empréstimos para empresas vinculadas.
Crise financeira e acusações contra Peña
O presidente Peña, economista e ex-acionista do Grupo Vázquez (proprietário do Banco Master), foi denunciado pelo Ministério Público por suspeitas de conflito de interesses e desvio de recursos públicos. O banco Ueno, ligado ao Grupo Vázquez, tinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social. A oposição acusa Peña de encobrir irregularidades no Banco Central e manipular regulamentações.
Impacto econômico para o Paraguai
A crise política e a instabilidade institucional podem afetar diretamente a confiança dos investidores no país, prejudicando fluxos de capital e ações do mercado financeiro local. Além disso, a suspensão de Peña e o processo de impeachment geram incertezas sobre a continuidade das políticas econômicas em curso, especialmente no setor bancário e na gestão de recursos públicos.
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