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CSD BR quer ser concorrente da B3 com tecnologia própria e interoperabilidade

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CSD BR quer ser concorrente da B3 com tecnologia própria e interoperabilidade

A CSD BR, infraestrutura financeira que atua no mercado de capitais brasileiro, pretende competir com a B3 ao longo do tempo. Segundo o CEO da empresa, Edivar Queiroz, a companhia tem como estratégia principal a criação de novos mercados e a interoperabilidade entre depositárias para ampliar sua atuação no setor.

A CSD BR já ultrapassou a B3 em volume de operações com swaps de balcão. Para Queiroz, isso demonstra que o avanço da empresa não depende necessariamente da transferência de negócios de uma infraestrutura para outra, mas sim da criação de novos mercados.

“Uma das coisas mais legais desse desafio é que nós não pegamos o mercado da B3. A B3 continua crescendo, e nós criamos um mercado”, afirma Queiroz em entrevista ao Money Times. Ele destaca que o Brasil tem uma economia grande, mas um mercado de capitais relativamente pequeno, deixando espaço para novos participantes.

Interoperabilidade busca conectar diferentes infraestruturas

A CSD BR está apostando na interoperabilidade entre depositárias como forma de ampliar a concorrência. O mecanismo permite que investidores acessem produtos custodiados em uma infraestrutura diferente daquela à qual estão conectados diretamente.

A empresa assinou um acordo com a BEE4 para viabilizar esse modelo, permitindo que participantes de uma depositária acessem ativos registrados na outra sem precisar estabelecer uma conexão direta com todas as infraestruturas do mercado. Na prática, o investidor poderá negociar um produto disponível em outra depositária por meio do ambiente ao qual já está conectado.

“Imagine que alguém está conectado à CSD e quer comprar um produto que está na BEE4. Essa pessoa não precisa ir diretamente à BEE4: pode comprar por aqui, e nós nos comunicamos com a outra depositária”, explica Queiroz.

O acordo entre CSD BR e BEE4 ainda depende da conclusão das etapas regulatórias necessárias para entrar em operação. Segundo o CEO, o modelo já foi considerado juridicamente viável pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central (BC), mas ainda aguarda a definição do procedimento operacional aplicável.

Tecnologia própria e equipe especializada

A CSD BR desenvolve internamente toda a tecnologia utilizada em sua infraestrutura. Segundo Queiroz, essa decisão está relacionada à busca por maior controle sobre os sistemas e à capacidade de adaptá-los às necessidades do negócio.

A empresa conta com aproximadamente 200 funcionários, dos quais cerca de 140 são engenheiros envolvidos no desenvolvimento de software e infraestrutura tecnológica. O CEO destaca a capacidade dos profissionais brasileiros na área de engenharia e desenvolvimento de software para construir soluções próprias.

Regulação é um desafio para a criação de novos mercados

A construção de uma nova infraestrutura financeira envolve desafios tecnológicos, comerciais e regulatórios. Queiroz afirma que a interoperabilidade entre depositárias ainda é um conceito relativamente novo para parte dos participantes e das próprias instituições responsáveis pela supervisão do mercado.

“É um desafio porque é novo. Os reguladores estão lidando com pedidos e modelos que não faziam parte da rotina deles”, afirma o CEO. Ele destaca a necessidade de explicar esses conceitos e construir um entendimento comum entre as partes envolvidas.

Como isso pode me impactar?

A expansão da CSD BR e sua estratégia de interoperabilidade podem ter implicações para investidores no Brasil. Com mais conectividade entre plataformas, os investidores poderão acessar uma gama maior de produtos financeiros sem precisar se conectar diretamente a todas as infraestruturas.

Além disso, a concorrência pode trazer benefícios como redução de custos e aumento da liquidez no mercado. No entanto, o processo de regulamentação ainda está em andamento, o que significa que os impactos práticos para o investidor podem demorar um pouco mais para se concretizar.

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