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El Niño prejudica colheita de cana no Brasil e ameaça safra de açúcar

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El Niño prejudica colheita de cana no Brasil e ameaça safra de açúcar

O fenômeno El Niño está causando fortes chuvas no Brasil, dificultando a colheita da cana-de-açúcar e gerando preocupações com o início da próxima safra. As usinas estão enfrentando dilemas entre prolongar a atual temporada de moagem ou interromper as operações para se prepararem para a próxima, segundo alertas levantados durante um evento do setor em São Paulo.

A Sucden, uma trading de commodities, revisou sua estimativa para a produção brasileira de açúcar nesta safra, reduzindo-a de 40 milhões para 37 milhões de toneladas. As chuvas intensas dos últimos dois meses deixaram a cana acumulada no campo e prejudicaram a produtividade esperada.

A situação é preocupante porque a cana que permanece no campo tende a se deteriorar com o tempo, reduzindo a quantidade de açúcar recuperável. Isso pode limitar significativamente o volume do produto que as usinas conseguem produzir com a matéria-prima remanescente.

Como isso afeta o bolso do leitor

O Brasil é responsável por cerca de 24% da produção mundial de açúcar, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA. A redução na oferta nacional pode impactar os preços globais do açúcar, refletindo em maiores custos para consumidores e indústrias que utilizam o produto.

Como isso pode me impactar?

Investidores que possuem ações de empresas relacionadas ao agronegócio ou à produção de açúcar podem sentir oscilações nos preços. Além disso, importadores e fabricantes de produtos derivados do açúcar também podem ser afetados com a elevação dos custos.

A Sucden estima que entre 615 milhões e 625 milhões de toneladas métricas de cana terão sido moídas até o fim desta temporada, ante 675 milhões disponíveis. Isso pode deixar cerca de 60 milhões de toneladas para serem processadas no início da próxima safra.

Jeremy Austin, diretor-geral da Sucden Brasil, alertou que não está claro quantas usinas estarão prontas para retomar a moagem em março. “Isso será algo a acompanhar nos próximos meses.”

Mario Barbosa, da Louis Dreyfus, prevê um acúmulo de 30 milhões de toneladas da chamada cana bisada — que permanece no campo entre uma safra e outra. O custo da cana não colhida é alto e pode aumentar a pressão sobre os preços dos açúcares no mercado internacional.

Paulo Garcia, da Vital Commodities, projeta cerca de 45 milhões de toneladas de cana não colhida devido às chuvas provocadas pelo El Niño. Algumas usinas planejam prolongar a moagem até o Natal, mas isso pode dificultar a retomada das operações já em março, por conta da entressafra mais curta.

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