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Exposição de Thaís Iroko no Palácio Gustavo Capanema reúne arte periférica em espaço histórico

Fonte: Valor Econômico
Exposição de Thaís Iroko no Palácio Gustavo Capanema reúne arte periférica em espaço histórico

A exposição “Sol da meia-noite”, da artista visual Thaís Iroko, está sendo apresentada no Palácio Gustavo Capanema, um dos marcos da arquitetura moderna brasileira. A mostra, que reúne 25 pinturas e explora a memória, o território e a cultura do funk, está em cartaz de setembro a novembro de 2026. Thaís Iroko, autodidata, iniciou sua trajetória no grafite em 2017 e hoje trabalha com pintura, instalações e vídeo.

A exposição dialoga com a proposta da Ocupá, galeria fundada por Jonathan Gomes, que nasceu na comunidade de Honório Gurgel e cresceu no Complexo do Chapadão. A Ocupá busca ampliar a circulação de artistas ligados às periferias e às culturas populares no circuito de arte contemporânea. Em dois anos, a galeria já realizou sete exposições, reuniu cerca de 120 artistas e vendeu mais de 70 obras.

“Eu queria abrir uma galeria que a minha galera pudesse chegar e se sentir bem”, diz Gomes. A iniciativa da Ocupá não se limita à escolha dos trabalhos expostos, mas também busca diversificar o público que circula pelos espaços de arte, quem é apresentado a colecionadores e quem consegue transformar a produção artística em uma trajetória profissional.

A programação da Ocupá vale-se de festas, territórios e referências culturais da periferia como matéria de criação. Em 2025, a exposição “Baile” reuniu artistas como Tayná Uràz, Felp e Ívanno José Brabo em torno do tema dos bailes noturnos, que atravessa diferentes manifestações populares.

Tayná Uràz investiga relações entre espiritualidade, território, natureza e ancestralidade. Sua produção abrange fotografia, desenho, instalação e audiovisual, com trabalhos que podem incorporar pigmentos naturais, miçangas e penas.

O mercado brasileiro de arte movimentou R$ 3,1 bilhões em 2025, segundo estimativa da Act Arte. O escritório atua com consultoria, realiza pesquisas e projetos curatoriais. No entanto, não há informações sobre quanto desse montante chega a artistas periféricos.

A galeria Ocupá também tem se expandido internacionalmente, participando de feiras como Fargo em Goiânia e Rotas Brasileiras em São Paulo. Em outubro de 2025, Gomes passou a dividir o negócio com Monica Bouqvar, que vê incentivos à arte periférica como essencial para que cada vez mais pessoas ganhem espaço e relevância.

A dificuldade de mensurar esse segmento também aparece no trabalho do Mapeamento de Arte e Cultura Visual Periférica (Macp), projeto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A origem social interfere nas condições de entrada no circuito, segundo a coordenadora do Macp, Renata Gesomino.

Gomes, da Ocupá, quer avançar nessa etapa. A galeria pretende começar a representar artistas selecionados, acompanhando suas carreiras e buscando oportunidades em residências, museus e coleções.