Anúncio

Inflação e Selic: como o Banco Central ajusta juros ao longo da crise

Fonte: Valor Econômico
Inflação e Selic: como o Banco Central ajusta juros ao longo da crise

Variação extrema na inflação nos últimos dez anos

Nos últimos dez anos, a inflação no Brasil teve uma variação significativa. A menor taxa anual registrada foi de 1,88% entre junho de 2019 e maio de 2020, enquanto o pico chegou a 12,13%, entre maio de 2021 e abril de 2022. Atualmente, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,58%. Essa oscilação influencia diretamente as decisões do Banco Central (BC) sobre os juros.

Como o BC reage à inflação

Quando a inflação sobe, o BC tende a aumentar os juros. Ao contrário, quando ela cai, pode reduzir a taxa básica. Esse mecanismo é chamado de função de reação no mercado financeiro — uma forma de manter a estabilidade econômica evitando decisões arbitrárias.

O que é função de reação?

A função de reação é um modelo que vincula automaticamente a Selic (taxa básica) à inflação. Isso reduz a influência discricionária dos diretores do Comitê de Política Monetária (Copom), evitando que decisões políticas ou pessoais afetem o mercado. A lógica é simples: seguir um algoritmo atualizado por especialistas é mais previsível do que deixar a decisão à cargo de critérios subjetivos.

Impacto da Selic sobre investidores e governo

Entre maio de 2020 e abril de 2022, a Selic subiu de 2% para 13,75%, enquanto a inflação atingiu seu pico. Nesse período, aplicações conservadoras (como CDBs e Tesouro Direto) tiveram perdas reais — rendendo cerca de 9% no total, contra uma inflação acumulada de quase 20%. Por outro lado, o governo teve redução nas despesas com juros.

Como isso afeta o seu bolso

Se você investe em aplicações conservadoras atreladas à Selic ou ao CDI (como Tesouro Direto), a diferença entre juros e inflação é crucial. Nos últimos 53 meses, o rendimento acumulado foi de inflação mais 8,4% ao ano — uma vantagem para investidores, mas um desafio para quem depende de renda fixa. Atualmente, essa margem está em cerca de 9 pontos percentuais.

O futuro da política monetária

Desde maio de 2022, a Selic tem se aproximado da inflação, com o CDI subindo 72% e a inflação crescendo 21%. Especialistas como Marcelo d’Agosto destacam que reduzir essa diferença entre juros e inflação é urgente para manter a estabilidade financeira do país.

Jota Finanças: Notícias, Análises e Educação Financeira.