A ISA Energia Brasil decidiu antecipar financiamentos e realizar uma oferta pública de ações no valor de R$ 1,2 bilhão para se proteger contra a volatilidade causada pelas eleições. A decisão foi anunciada pela diretora executiva Silvia Wada, que explicou que o movimento visa evitar acessar o mercado durante períodos de incerteza macroeconômica. Essa estratégia é parte de um plano mais amplo de gestão de risco, já que a maior parte da dívida da empresa está vinculada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mesmo indicador que ajusta sua receita, criando uma proteção natural contra oscilações inflacionárias.
O lucro pró-forma da companhia subiu 14% no acumulado do ano até setembro, atingindo R$ 625 milhões. No terceiro trimestre, a empresa investiu R$ 1,1 bilhão em novos projetos, sendo parte desse dinheiro destinado ao descruzamento de ativos com a Axia Energia e outras iniciativas estratégicas. Até o final do ano, a ISA tem previsto R$ 12 bilhões em investimentos, dos quais R$ 7,6 bilhões já estão autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reforços no sistema e R$ 4,1 bilhões para projetos novos como Serra Dourada e Itatiaia.
Como isso afeta o seu bolso
Para quem investe em empresas que dependem de grandes obras de infraestrutura ou têm dívida indexada à inflação, a estratégia da ISA Energia mostra um modelo prático: alinhar os custos com receitas que também seguem indicadores macroeconômicos. Isso reduz riscos cambiais e inflacionários, mas exige vigilância sobre juros longos, que elevam o custo de novas decisões de investimento. A empresa já está se preparando para participar de leilões futuros, incluindo aquele de baterias (previsto para dezembro), onde tem experiência com um projeto no litoral sul do Estado de São Paulo.
A ISA Energia também ressaltou que não há pressão para vencer licitações, mas busca oportunidades em fusões e aquisições (M&As) e leilões de transmissão. A companhia já tem sete licitações previstas até 2029, sendo três no próximo ano, o que pode impactar os preços das ações de empresas do setor elétrico e de tecnologias emergentes como baterias.
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