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Japão pede inclusão na lei europeia de incentivo a veículos elétricos

Fonte: Valor Econômico
Japão pede inclusão na lei europeia de incentivo a veículos elétricos

O Japão está em negociações para ser incluído no plano da União Europeia (UE) que oferece subsídios e benefícios fiscais a empresas que fabricam veículos elétricos dentro do bloco. O governo japonês, representado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, tem buscado alterações na Lei de Acelerador Industrial (IAA), proposta pela Comissão Europeia em março. A IAA prevê apoio a fabricantes que produzam carros elétricos e obtenham componentes dentro da UE.

O acordo entre Alemanha e França, anunciado no dia 16 de outubro, estende as regras de origem “Made in EU” (produzido na UE) a países que faziam parte do mercado único europeu em 2020. No entanto, o Japão e a Coreia do Sul não foram incluídos no pacote inicial, gerando preocupação tanto no governo japonês quanto na indústria automotiva local.

Para as montadoras japonesas, como a Toyota, essa exclusão pode impactar significativamente suas vendas na Europa. Cerca de 5% do volume total de vendas da Toyota no continente são de veículos elétricos, ou seja, mais de 50 mil unidades. A empresa depende majoritariamente de exportações do Japão e planeja iniciar a produção local em uma unidade na República Tcheca até 2028.

Como isso afeta o bolso do leitor

Para consumidores japoneses que compram carros elétricos na Europa, a ausência do Japão no plano da IAA pode resultar em preços mais altos ou limitação de acesso a benefícios fiscais. Isso também poderia impactar indiretamente o mercado interno japonês se as montadoras precisarem aumentar os custos para compensar a falta de apoio na Europa.

Como isso pode me impactar?

Para investidores, a negociação entre o Japão e a UE sobre inclusão no IAA pode ter implicações no setor automotivo global. Se as montadoras japonesas forem excluídas do plano de incentivos da UE, elas podem precisar reavaliar estratégias de produção e investimento em novos mercados, o que poderia afetar a competitividade no longo prazo.

O governo japonês e empresas do setor têm solicitado desde junho a inclusão do Japão entre os países elegíveis aos subsídios da IAA. Durante a cúpula do G7 na França, Takaichi já expressou preocupação com a possível exclusão das montadoras japonesas.

A França, por sua vez, tem se mostrado mais inclinada a proteger suas indústrias locais, especialmente as de veículos elétricos. Empresas como a Renault dependem fortemente das vendas dentro da UE e pressionam pela priorização dos fabricantes europeus.

No mercado europeu, cerca de 60% das vendas são feitas por meio de “carros de empresa”, oferecidos aos funcionários como parte do pacote de remuneração. Esses veículos são elegíveis a benefícios fiscais e subsídios, sendo uma fonte fundamental para as montadoras japonesas.

Com base no acordo entre Alemanha e França, os trâmites finais da proposta IAA estão em andamento. Existe a possibilidade de que o projeto sofra alterações parciais ao longo desse processo.

Já em julho de 2025, o Japão e a UE lançaram uma “Aliança de Competitividade”, com o objetivo de fortalecer o comércio, os investimentos e as cadeias de suprimento. Essa iniciativa é uma resposta ao protecionismo dos Estados Unidos, à capacidade produtiva da China e a outras preocupações compartilhadas.

Resta saber como o desfecho das discussões sobre a IAA impactará essa cooperação entre os dois blocos econômicos.

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