A moda sustentável está ganhando força no Brasil, com o estilista Marcelo Sommer apresentando uma coleção inteiramente feita com peças recicladas durante a última edição da São Paulo Fashion Week. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Brechó Capricho à Toa, utilizou tecidos sustentáveis e rastreáveis, e 40% das criações já foram vendidas antes mesmo do desfile. Esse movimento reflete uma mudança de comportamento no consumo, que está acelerando o crescimento do mercado de segunda mão.
Estudos apontam que o mercado global de revenda de moda e artigos de luxo deve atingir entre US$ 320 e US$ 360 bilhões até 2030. O setor cresce a uma taxa anual de 10%, muito acima do varejo tradicional, com metade dos consumidores de luxo já consultando o mercado de segunda mão antes de comprar algo novo.
Como isso afeta o bolso do leitor
Para quem busca alternativas econômicas e sustentáveis, a revenda de moda e artigos usados oferece economia significativa. Um item usado pode custar entre 30% a 60% menos que um novo, como mostra a OLX, onde são registradas 12 vendas por minuto nas categorias de bens de consumo. Entre janeiro e agosto de 2026, as categorias de games, consoles, informática e notebooks cresceram entre 13% e 24% em comparação ao mesmo período de 2025.
Como isso pode me impactar?
O crescimento do mercado de segunda mão não se limita apenas à moda. Setores como eletrônicos, livros e mobiliário também estão registrando aumento no volume de transações. Isso significa que consumidores que desejam reduzir custos e impacto ambiental têm mais opções acessíveis e responsáveis.
Plataformas como o New4Another, que vende peças de marcas famosas como Chanel, Gucci e Hermès, estão se destacando com um ticket médio que subiu de R$ 2.800 para entre R$ 5.800 e R$ 6.200 nos últimos dois anos. A preferência pelo físico continua forte, mas a presença digital também é crucial, com conteúdo diário e canais exclusivos para clientes.
Outra inovação no setor é o uso da inteligência artificial (IA) pela Hunt Unique Treasures, que autentica itens de luxo com precisão de 98%. A plataforma, que conecta brechós a compradores, tem crescido rapidamente e planeja expandir para os Estados Unidos, um mercado dez vezes maior do que o brasileiro.
O crescimento do setor também está ligado à geração Z e aos Millennials, que representam 71% do aumento esperado até 2030. Eles buscam não apenas economia, mas também consumo consciente. Ainda assim, a barreira do preconceito contra peças usadas persiste, embora já esteja muito menor do que no passado.
Com uma média de 400 mil peças recebidas por mês e 85% das vendas realizadas, o Peça Rara Brechó, maior rede multicategoria do país, faturou R$ 250 milhões em 2025. A empresa também tem um programa social, encaminhando itens não vendidos para o Instituto Eu Sou Peça Rara.
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