A Assembleia Geral da ONU votou por uma ampla maioria para o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas. A resolução foi apoiada por 130 países, contra 17 e com 25 abstenções. Apesar do resultado histórico, o encerramento da medida ainda depende da decisão do Congresso dos EUA, que mantém a política desde a Guerra Fria.
O voto da ONU, embora simbólico, reforça uma pressão crescente internacional sobre os Estados Unidos para revisar uma das políticas mais duras da diplomacia norte-americana. A resolução anual da Assembleia Geral é a única forma pela qual a comunidade internacional demonstra o descontentamento com o embargo, mas o poder final de alteração ou manutenção da medida está nas mãos do Congresso dos EUA.
Como isso afeta o bolso do leitor
O impacto direto no bolso do cidadão brasileiro ainda é limitado. No entanto, o fim do embargo pode gerar novas oportunidades de comércio e investimento entre Cuba e outros países que têm interesse na região caribenha. Isso poderia eventualmente abrir caminhos para exportações de produtos brasileiros, como alimentos ou tecnologia, caso haja uma abertura comercial.
Como isso pode me impactar?
Para o investidor, a notícia não representa um impacto imediato em carteiras de ações ou fundos. No entanto, se os Estados Unidos decidirem revogar o embargo no futuro, isso poderia abrir novas possibilidades para negócios e investimentos na região caribenha, afetando setores como agronegócio, energia e infraestrutura.
A votação da ONU gerou tensões antes do pleito. Diplomatas cubanos e norte-americanos tiveram discussões acaloradas no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, com relatos de gritos e empurrões durante a sessão. Além disso, o enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, afirmou que um diplomata cubano foi expulso do país por suposta agressão.
O governo cubano acusa os Estados Unidos de manter uma política de “sufocamento” e “genocídio”, alegando que o embargo contribuiu para uma crise econômica grave no país, com escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação elevada. A recente crise elétrica na ilha, que deixou milhões sem energia, reforçou a imagem de um país sob pressão internacional.
Para os Estados Unidos, o governo continua defendendo o embargo, embora haja sinais de mudança no cenário político. Durante o mandato do ex-presidente Barack Obama, Washington e Havana estreitaram relações diplomáticas, mas sob o atual governo, a pressão sobre Cuba persiste.
A ONU tem adotado essa resolução anualmente desde os anos 1990, exceto em 2020, durante a pandemia da Covid-19. A votação de 2023 marcou uma mudança: pela primeira vez em muitos anos, países como Alemanha e Itália se abstiveram, o que pode ser um sinal de pressão crescente sobre os EUA.
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