O nome do próximo ministro da Fazenda não basta: plano e apoio presidencial são fundamentais
O mercado financeiro espera com ansiedade as definições sobre o plano econômico do novo governo e a escolha do próximo titular da Pasta da Fazenda. Para Claudio Frischtak, ex-consultor do Banco Mundial e presidente da Inter.B Consultoria, apenas anunciar um nome sem apresentar um programa claro e consistente não gera confiança nos agentes econômicos. “O nome isoladamente, sem um plano crível, não funciona muito bem”, afirma.
Redução de incentivos fiscais é prioridade
Frischtak destaca que um dos pontos essenciais para estabilizar as contas públicas é a revisão dos incentivos fiscais, que hoje representam cerca de 6% do PIB. Ele defende uma redução gradual desse percentual para entre 3,5% e 4% ao longo de quatro anos, com cortes anuais de aproximadamente 0,6 ponto percentual. “Isso permitiria equilibrar a economia sem prejudicar os mais vulneráveis”, explica.
Juros altos refletem fragilidades estruturais do país
Segundo o analista, as taxas de juros reais elevadas no Brasil não são resultado exclusivo da política monetária, mas sim de fragilidades estruturais da economia. “Com a inflação você não brinca em serviço”, alerta, lembrando que o país já conviveu com taxas de 1% a 1,5% ao dia no passado, situação que impacta especialmente os mais pobres.
Papel do presidente e da coalizão
Frischtak enfatiza que, em um regime presidencialista, o apoio explícito do presidente é crucial para validar qualquer plano econômico. “O presidente precisa dizer claramente: confio no meu ministro da Fazenda e vamos ajustar as contas públicas”, afirma. Um plano apoiado pelo governo e pela coalizão teria mais chances de ser aprovado mesmo pela oposição.
Como isso pode me impactar?
A redução dos incentivos fiscais e a estabilização das contas públicas podem influenciar diretamente os juros no país. Se o plano for implementado com sucesso, isso poderia levar a uma diminuição gradual das taxas de juros reais, beneficiando empréstimos, financiamentos e investimentos no longo prazo. No entanto, qualquer falha nesse processo pode manter os juros altos, impactando custos de consumo e empreendimento.
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