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Transformação digital acelera processos judiciais no Brasil

Fonte: Valor Econômico
Transformação digital acelera processos judiciais no Brasil

A transformação digital no Poder Judiciário brasileiro está ganhando força, com a implementação de novas ferramentas tecnológicas que estão aumentando a eficiência e a segurança dos procedimentos. De acordo com o relatório Justiça em Números 2026, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o setor está passando por uma evolução significativa, saindo da fase inicial de virtualização de acervos para uma política pública estruturante de integração nacional de serviços e soluções tecnológicas.

Linha do tempo da modernização judiciária

O processo de modernização começou com a instituição do primeiro sistema de tramitação processual em 2003, seguido pela promulgação da Lei nº 11.419/2006, que regulamentou a informatização do processo judicial. Em 2009, foi criado o Processo Judicial Eletrônico (PJe), fruto de uma cooperação técnica entre o CNJ, o Conselho da Justiça Federal e os Tribunais Regionais Federais (TRFs). Essas iniciativas visam cumprir o princípio constitucional da razoável duração do processo e da celeridade na tramitação.

Programa Justiça 4.0: a base da transformação digital

O CNJ destaca que o Programa Justiça 4.0 é um dos pilares dessa infraestrutura nacional. A iniciativa inclui soluções como a Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br), uma nuvem pública para o ecossistema jurídico, além do Balcão Digital e do Juízo 100% Digital.

Em 2026, essa estratégia foi reforçada pelo Plano de Transformação Digital do CNJ, que tem como foco a unificação do acesso aos serviços, consolidação de bases de dados, automação de fluxos e fortalecimento dos sistemas nacionais de gestão. Essas medidas visam promover a inovação e melhorar a prestação jurisdicional à sociedade.

Avanços em interoperabilidade e segurança da informação

Entre os avanços em interoperabilidade, o CNJ disponibilizou uma nova Interface de Programação de Aplicações (API) voltada ao Sistema Nacional de Gestão de Bens (SNGB). Desenvolvida sob o modelo de mensageria assíncrona, a tecnologia permite a comunicação automatizada entre sistemas judiciais e órgãos de segurança pública para troca de dados sobre bens apreendidos. Isso fortalece a rastreabilidade da cadeia de custódia e elimina a necessidade de inserção manual de informações, reduzindo erros de digitação e duplicidades.

No campo da segurança da informação, o CNJ estabeleceu o dia 18 de maio de 2026 como prazo para a transição definitiva para o modelo de Autenticação em Múltiplos Fatores (MFA) via aplicativos autenticadores em dispositivos móveis. A medida descontinua o envio de códigos temporários por e-mail no acesso à PDPJ-Br, ao Portal Jus.br e ao Sistema de Autenticação Única (SSO), reduzindo a superfície de ataque para fraudes e elevando o padrão de integridade dos dados processuais.

Melhorias práticas no serviço público

Paralelamente, foi lançada a plataforma Meu Registro, desdobramento do Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (SERP), criado pela Lei nº 14.382/2022. A plataforma passa a unificar a solicitação de certidões do Registro Civil, de Imóveis e de Títulos e Documentos em um único requerimento nacional com acompanhamento centralizado.

Impacto para o cidadão

Essas medidas refletem um movimento contínuo de modernização estrutural cujos benefícios de eficiência se projetam a longo prazo para todo o ecossistema do Direito. A PrecPago, uma das líderes em antecipação de precatórios no Brasil, avalia de forma positiva as iniciativas voltadas ao maior uso da tecnologia, apontando que o fortalecimento dos protocolos de segurança digital e a automação no tráfego de dados conferem maior velocidade, previsibilidade e segurança ao sistema judiciário.

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