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ZF adapta estratégias à economia brasileira e pressiona por proteção industrial

Fonte: Valor Econômico
ZF adapta estratégias à economia brasileira e pressiona por proteção industrial

A ZF, uma das maiores empresas do setor de autopeças no mundo, está ajustando suas operações no Brasil diante da volatilidade dos juros e da desvalorização do real. Para o presidente da ZF América do Sul, Carlos Delich, a alta dos juros pode impactar diretamente o crescimento das vendas, forçando ajustes na produção. Por outro lado, a valorização do dólar está ajudando a justificar nacionalizações de componentes que antes seriam feitas em um ou dois anos. Isso representa uma espécie de ‘moeda de troca’ para a empresa.

A ZF tem presença no Brasil há quase 70 anos, com sete fábricas e um centro tecnológico no Estado de São Paulo, além de uma unidade na Argentina. A empresa fabrica uma ampla gama de componentes, desde transmissões e freios até sistemas avançados de assistência ao motorista, que são fundamentais para o futuro da condução autônoma.

No entanto, Delich destaca um desafio crescente: a expansão dos carros importados da China. Muitos desses veículos usam componentes produzidos por fábricas da própria ZF na China, mas a operação brasileira está pronta para fornecer tecnologias similares caso haja demanda e apoio governamental.

Como isso afeta o bolso do leitor

O aumento dos carros importados pode reduzir a procura por peças fabricadas no Brasil, impactando negativamente empresas como a ZF. Isso pode resultar em menos empregos e menor investimento em inovação dentro do país.

Como isso pode me impactar?

Para o consumidor, a concorrência com os carros chineses pode trazer vantagens, como preços mais acessíveis e tecnologias avançadas. No entanto, se o setor local for prejudicado, poderemos ver menos inovação no mercado nacional.

Delich defende que o Brasil adote medidas similares às dos Estados Unidos e da Europa, onde impostos elevados sobre importações chinesas ajudam a proteger o setor automotivo local. Atualmente, o Brasil estabeleceu um teto de 35% para o Imposto de Importação, seguindo orientações da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas Delich acredita que essa estratégia pode precisar ser revisitada.

Além disso, ele sugere a criação de cotas para limitar a importação. Mesmo com os desafios, o avanço dos carros chineses trouxe novas exigências do consumidor, como câmeras traseiras e sistemas de segurança, abrindo espaço para fornecedores de tecnologia avançada.

A ZF foi fundada por Ferdinand Zeppelin em 1900 e suas ações pertencem a entidades filantrópicas na Alemanha. Delich, argentino com cidadania australiana, lidera a operação sul-americana há oito anos.

Na última década, a ZF ampliou sua presença no Brasil após adquirir empresas como TRW e Wabco, fortalecendo sua posição no mercado de caminhões. Hoje, 55% das vendas da ZF na América do Sul são destinadas ao setor de caminhões, com o Brasil representando 90% desse faturamento.

A estagnação do mercado de caminhões nos últimos três anos preocupa os executivos da empresa. Apesar de programas de financiamento governamental terem ajudado a amenizar a crise, Delich e Silvio Furtado, vice-presidente da área de veículos comerciais na América do Sul, defendem um programa de renovação da frota como solução ideal para o país.

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