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Vendas de supermercados crescem 0,59% em setembro, mas inflação pressiona orçamento familiar

Fonte: Valor Econômico
Vendas de supermercados crescem 0,59% em setembro, mas inflação pressiona orçamento familiar

As vendas dos supermercados no Brasil subiram 0,59% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Porém, se compararmos com agosto de 2026, houve uma queda de 1,46%, interrompendo um período de crescimento consecutivo desde julho. Apesar disso, o acumulado do ano até setembro já mostra uma alta de 2,70%.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, destaca que o consumo continua em trajetória positiva, mesmo com os desafios enfrentados pelas famílias. “As pessoas estão conciliando o abastecimento dos lares com outros compromissos do orçamento”, afirma.

Para sustentar esse crescimento até dezembro, a Abras aposta no aumento da renda das famílias. Um fator relevante é o reajuste no benefício médio do Bolsa Família, que passou de R$ 678,18 para R$ 777 por família em outubro, representando um acréscimo de R$ 49 que pode ser direcionado às compras no supermercado.

Outros fatores positivos incluem a injeção de R$ 6,4 bilhões com o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica e a liberação de R$ 3,22 bilhões em requisições de pequeno valor pela Justiça Federal. O mercado de trabalho também contribui: segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre até agosto, enquanto a massa de rendimento real do trabalho atingiu R$ 385,6 bilhões, recorde da série.

Como isso afeta o bolso do leitor

A pressão sobre o orçamento familiar persiste, especialmente com a alta dos preços da cesta básica. Em setembro, ela subiu 1,09%, chegando a R$ 846,22. Os principais aumentos foram no tomate (37,76%), batata (24,07%) e cebola (10,14%).

No acumulado do ano, a cesta básica subiu 5,73%, mais que a inflação oficial de 3,95%. Em outubro, o IPCA-15 registrou uma alta de 0,88% em alimentos e bebidas, quase o dobro da variação de setembro. O leite longa vida, por exemplo, acumula aumento de 27% no ano.

Como isso pode me impactar?

Com os preços subindo, os consumidores têm optado por marcas mais baratas. Dados da NielsenIQ mostram que, nas categorias de menor valor agregado, os produtos mais acessíveis passaram de 42,5% para 45,7% das vendas entre setembro de 2025 e 2026. Nos perecíveis industrializados, porém, a participação dos itens mais caros subiu de 24,3% para 27,9%, refletindo a pressão no bolso do consumidor.

A cesta básica ficou mais cara em todas as regiões do país. O Centro-Oeste teve a maior alta mensal (1,97%), enquanto o Norte apresentou o preço médio mais alto (R$ 942,56). No Nordeste, apesar da variação menor (0,70%), a cesta custou R$ 756,86.

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