A concorrência entre Tesouro IPCA+ e debêntures incentivadas não é tão clara quanto parece
Há um debate em andamento sobre se as debêntures isentas de imposto de renda estão competindo diretamente com os títulos públicos indexados à inflação, conhecidos como Tesouro IPCA+. Alguns acreditam que a isenção fiscal está atraiendo recursos que deveriam ser direcionados para o Tesouro Nacional. No entanto, um estudo recente realizado pelo GRI Institute Infrastructure desafia essa visão.
O que diz o estudo?
Segundo o relatório, as emissões de debêntures incentivadas e os títulos do Tesouro IPCA+ cresceram juntas em 2025. As debêntures movimentaram R$ 178 bilhões, enquanto os títulos públicos somaram R$ 343 bilhões — o segundo maior valor da série histórica.
Isso sugere que não há uma substituição direta entre os dois mercados, mas sim um crescimento paralelo. A correlação positiva entre as emissões dos dois ativos reforça essa ideia. O estudo conclui que a hipótese de que um está “roubando” recursos do outro não tem suporte nos dados.
Por que o Tesouro IPCA+ está perdendo tração?
O relatório aponta que a queda na demanda por títulos públicos está mais relacionada a fatores macroeconômicos e mudanças no comportamento dos investidores institucionais do que à concorrência com as debêntures.
Um desses fatores é o aumento da dívida pública, que gera incertezas sobre a trajetória fiscal. Além disso, há uma redução na participação de fundos exclusivos, multimercados e planos de previdência VGBL no mercado de NTN-Bs (Tesouro IPCA+). Esses investidores tradicionalmente representavam um peso significativo na demanda por títulos públicos.
O impacto dos juros altos e da fiscalidade
Outro ponto levantado pelo estudo é o aumento dos juros, que torna os títulos de longo prazo menos atraentes para investidores. Além disso, a isenção de IR para debêntures incentivadas atrai muitos investidores de varejo, mas eles ainda representam uma parcela pequena da base de compradores dos títulos públicos.
Como isso afeta o bolso do leitor?
Para o investidor pessoa física, a isenção de imposto em debêntures incentivadas pode ser um fator importante na escolha entre esses ativos e os títulos públicos. No entanto, a falta de tração dos Tesouro IPCA+ não se deve exclusivamente à concorrência com debêntures, mas também a mudanças no comportamento de investidores institucionais.
Como isso pode me impactar?
Para quem investe em renda fixa, a discussão sobre impostos e o desempenho dos títulos públicos é relevante. Se os governos continuarem com políticas fiscais incertas, pode haver pressão para altas nas taxas de juros ou até mesmo mudanças na tributação de debêntures incentivadas. Isso poderia impactar a rentabilidade e o custo dos investimentos em renda fixa.
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