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Como a transmissão de patrimônio familiar pode impactar empresas e relações

Fonte: Valor Econômico
Como a transmissão de patrimônio familiar pode impactar empresas e relações

A transmissão de patrimônio em famílias brasileiras está se tornando um desafio crescente, especialmente diante da estimativa do Global Wealth Report 2025, que aponta a movimentação de US$ 9 trilhões nos próximos 20 a 25 anos. Esse número representa uma das maiores transferências patrimoniais da história do país e envolve não apenas a mudança de mãos de ativos, mas também a complexidade de manter o equilíbrio entre identidade familiar, governança corporativa e legado.

A importância da governança e da confiança

A transmissão de patrimônio raramente se limita à questão financeira. Conflitos familiares muitas vezes começam com divergências menores que, ao longo do tempo, podem evoluir para disputas complexas envolvendo poder, reconhecimento e identidade. Ivan Lansberg, referência no estudo de empresas familiares, ressalta que a falta de governança e confiança é um dos principais fatores de fracasso em processos sucessórios.

Frances Frei, professora da Harvard Business School, explica que a confiança é sustentada por três elementos: autenticidade, lógica e empatia. A lógica é a mais simples de aplicar — ela envolve critérios objetivos como formação, experiência e desempenho. O desafio está em conciliar esses critérios com as dimensões humanas das decisões.

Família, propriedade e empresa: papéis distintos

O modelo dos três círculos, desenvolvido por Renato Tagiuri e John Davis, ajuda a separar os papéis frequentemente confundidos. Na família, prevalecem afeto e memória; na propriedade, controle e liquidez; e na empresa, competência e responsabilidade. Quando esses círculos se misturam — como quando uma decisão empresarial é vista como um julgamento entre filhos —, surge o espaço para conflitos.

O desafio da preparação

Muitas famílias estão se preparando para transferir ativos, mas não necessariamente para preparar os herdeiros. O velho ditado “pai rico, filho nobre, neto pobre” reflete uma realidade: construir patrimônio é difícil; preservá-lo exige governança e confiança.

Como isso afeta o bolso do leitor

Para os herdeiros que não estão preparados para assumir a gestão de grandes ativos, a falta de planejamento pode resultar em perdas significativas. Empresas familiares sem uma estrutura clara podem enfrentar ineficiências e desvalorização no mercado. Isso impacta diretamente o patrimônio da família, que pode ser reduzido por decisões mal tomadas ou pela falta de continuidade.

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