Evento em Belém discute transição energética com foco em inclusão
O evento “Transição Energética – a conta da mudança: quem paga, quem ganha e quem pode ficar para trás”, realizado em Belém (PA), reuniu especialistas para debater como a mudança de matriz energética pode promover desenvolvimento econômico e social na Amazônia. A discussão destacou a importância de políticas inclusivas para garantir que nenhuma comunidade seja deixada para trás no processo.
Acesso à energia como direito básico
Gustavo Tavares, gerente de regulação da Equatorial Pará, ressaltou que o acesso à eletricidade é um dos primeiros passos para a cidadania. Atualmente, 3 milhões de clientes no Pará são atendidos pela companhia, sendo 1 milhão elegíveis a tarifas sociais. Mais de 70 mil famílias estão em processo de inclusão nesse sistema. “Trabalhamos para levar energia a todos e oferecer condições acessíveis de pagamento”, afirmou Tavares.
Inovações sustentáveis na prática
Eugênio Pantoja, do Fundo Hydro, destacou iniciativas como o uso de caroços de açaí — antes descartados — para gerar energia em caldeiras. “Transformamos resíduos em oportunidades”, explicou. Esse modelo beneficia empresas locais que coletam e vendem os caroços, criando novas fontes de renda.
Desafios da transição energética
Fatima Chamma, CEO da Chamma da Amazônia, alertou para a necessidade de melhorar logística e custos energéticos na região. “Gastamos muito com fretes altíssimos”, disse. Para ela, a transição só será bem-sucedida se incluir microempresas e garantir acesso à energia limpa.
A importância das instituições locais
Sergio Andrade, da Agenda Pública, enfatizou que instituições democráticas são essenciais para evitar desigualdades na transição. Ele citou o projeto “Celeiro Cerrado”, que articula governos, empresas e sociedade civil para desenvolvimento sustentável.
Como isso afeta a economia local?
A transição energética pode reduzir custos operacionais para pequenas empresas ao promover fontes renováveis. Além disso, programas como o uso de resíduos da Amazônia (como caroços de açaí) criam novas oportunidades de negócios e empregos na região. No entanto, é crucial que políticas públicas garantam acesso equitativo à energia e não deixem comunidades tradicionais para trás.
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