O que o Copom revela sobre o futuro da economia
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos. Para o ex-diretor do Banco Central Tony Volpon, essa decisão sinaliza que o BC está ‘contra a parede’ e não tem mais espaço para reduzir juros sem arriscar uma crise maior.
“O BC não poderia fazer mais nada a não ser esperar”, afirma Volpon. Ele destaca que, caso os juros precisem subir novamente, o risco é acelerar um cenário chamado de ‘dominância fiscal’ — quando a dívida pública cresce tanto que as políticas monetárias perdem eficácia para controlar a inflação.
O que é dominância fiscal e por que importa?
A dominância fiscal ocorre quando o governo tem uma dívida tão alta que qualquer aumento de juros eleva drasticamente os custos de financiamento público. Isso gera desconfiança no mercado, fuga de capitais, valorização do dólar e, ironicamente, inflação maior.
“Se o BC subir ainda mais os juros para conter a inflação, o custo da dívida pública explode”, explica Volpon. Isso pode levar à estagflação — combinação de desemprego alto, crescimento econômico baixo e inflação persistente.
Recessão em 2027 é cenário base
O economista afirma que a recessão em 2027 é seu ‘cenário base’. Ele vincula isso à falta de ajustes nas contas públicas, especialmente após as eleições presidenciais. “A desaceleração da atividade e as expectativas de inflação estão piorando muito mais do que o mercado imaginava”.
O dólar, que fechou em R$ 5,47 na quarta-feira (4), pode subir para acima de R$ 5,80 se a pressão sobre os juros aumentar. Isso lembraria o cenário de 2015-2016, quando a Selic chegou a 14,25% ao ano.
O que isso afeta o seu bolso?
Se você tem financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais ou investe no Tesouro Direto, os juros altos impactam diretamente. Além disso, a inflação elevada pressiona preços de alimentos e combustíveis. Para quem depende da renda fixa, o CDI (Critério de Referência para Investimentos) pode ficar ainda mais volátil.
O risco maior é que, sem ajustes fiscais, o país entre em um ciclo de recessão com desemprego elevado e crescimento estagnado. “O BC não tem autonomia para evitar isso se o governo não mudar a trajetória fiscal”, diz Volpon.
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