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Desequilíbrio Fiscal e Desafios para a Economia Brasileira: O Que Isso Significa Para Você

Fonte: Valor Econômico
Desequilíbrio Fiscal e Desafios para a Economia Brasileira: O Que Isso Significa Para Você

Desequilíbrio fiscal é o principal desafio da economia brasileira

O novo economista-chefe do Santander Brasil, Marco Antonio Caruso, destacou durante o XXII Encontro Santander América Latina que o desequilíbrio das contas públicas é a maior preocupação para o país. Segundo ele, esse problema pressiona a inflação, mantém os juros altos e limita o crescimento econômico. As projeções do banco são de um crescimento de 1,8% do PIB em 2023 e de 1,3% em 2027, com viés de baixa para o próximo ano.

Rigidez orçamentária limita investimentos públicos

Caruso explicou que cerca de 90% das despesas federais são obrigatórias por determinação constitucional, deixando apenas 10% sob controle do governo. Essa rigidez orçamentária força os ajustes fiscais a serem feitos principalmente em investimentos públicos, limitando o desenvolvimento da infraestrutura.

Dívida pública alcança patamar elevado

Segundo as estimativas do Santander, a dívida pública brasileira deve atingir 88% do PIB em 2027. Esse valor está aproximadamente 20 pontos percentuais acima da média dos países emergentes. Para estabilizar esse nível, o Brasil precisaria reduzir seu déficit recorrente de atualmente entre 0,5% e 1% do PIB para um superávit de 1,5% a 2% do PIB. Esse ajuste demandaria cerca de R$400 bilhões adicionais, algo que o economista considera extremamente desafiador.

Juros altos e inflação persistente

O desequilíbrio fiscal também está ligado aos juros elevados no país. Caruso comparou os juros a um termômetro que indica uma “febre” econômica, alertando que abandonar o controle da inflação não resolveria o problema. Para reduzir consistentemente as taxas de juros para abaixo de dois dígitos, seria necessário que o crescimento das despesas públicas se aproximasse do ritmo da inflação mais um ponto percentual.

Desafios de longo prazo: produtividade e demografia

Além dos problemas imediatos, Caruso destacou que a produtividade e a demografia são desafios crônicos para o Brasil. Embora parte do crescimento recente tenha vindo da incorporação de trabalhadores ao mercado, esse movimento tende a enfraquecer com o envelhecimento populacional e o baixo desemprego.

Como isso afeta o seu bolso?

Os juros altos impactam diretamente os empréstimos para consumo (como financiamento de carros, imóveis ou cartões de crédito), aumentando as parcelas mensais. A inflação persistente também pressiona preços de produtos e serviços essenciais, reduzindo o poder de compra. No longo prazo, a falta de investimentos em infraestrutura pode limitar oportunidades de emprego e inibir o crescimento da economia, afetando salários e renda.

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