Mudança no cenário global
O dólar, tradicionalmente visto como ativo de refúgio em crises, pode perder essa posição se houver turbulências nos mercados americanos. Segundo a TS Lombard, uma eventual crise na bolha de inteligência artificial (IA) poderia levar investidores globais a buscar alternativas como o iene e os títulos públicos japoneses (JGBs). A análise da consultoria aponta que as dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA e as eleições de meio de mandato nos EUA estão reativando a procura por proteção nas carteiras internacionais.
Japão: nova opção de refúgio?
O Japão, após décadas de deflação, voltou a enfrentar inflação e juros positivos. Isso, somado à intervenção conjunta entre EUA e Japão no câmbio durante o verão e à mudança de posição da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre o iene, pode levar os juros japoneses a atingir 2% até meados de 2027. Os JGBs, por sua vez, tornaram-se mais competitivos em relação aos títulos estrangeiros, especialmente com a proteção cambial oferecida pelo iene.
Como isso afeta o seu bolso?
Se você investe em títulos públicos no Brasil, como o Tesouro Direto, a dinâmica dos JGBs pode servir de lição. A valorização do iene e os juros crescentes no Japão mostram que mercados com políticas monetárias mais ativas podem atrair recursos em momentos de volatilidade global. No Brasil, o CDI (certificado de depósito bancário) é um benchmark similar aos JGBs, mas seu rendimento depende da taxa Selic.
Dólar e iene: cenários divergentes
A TS Lombard questiona a ideia de que o dólar sempre se fortalece em crises. Em 2008, a corrida por liquidez no dólar foi específica; em outras ocasiões, como na crise das pontocom, o dólar permaneceu estável ou até se depreciou. Hoje, a concentração do ciclo de IA nos EUA torna o país mais vulnerável a reversões de fluxos internacionais.
O franco suíço e outras alternativas
O franco suíço continua sendo o principal ativo de proteção cambial, segundo a consultoria. No entanto, o iene pode recuperar espaço, especialmente com o crescimento do mercado de títulos japoneses. Para investidores sem proteção cambial, essa combinação poderia oferecer retornos superiores aos dos Treasuries americanos.
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