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Hyperscalers aumentam emissão de dívida para IA: impactos nos juros longos dos EUA

Fonte: Valor Econômico
Hyperscalers aumentam emissão de dívida para IA: impactos nos juros longos dos EUA

As grandes empresas tecnológicas, conhecidas como hyperscalers — Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle — estão emitindo uma quantidade crescente de títulos com vencimentos de 10 anos ou mais. Segundo um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS), essas emissões já equivalem a 13% das emissões brutas de títulos do governo americano de prazo semelhante, ante apenas 1,5% em 2024. O aumento também se reflete no mercado corporativo: a participação dessas empresas no mercado de dívida longa saltou de aproximadamente 3% para 24%.

O estudo destaca que essa expansão está diretamente ligada ao financiamento da inteligência artificial, uma área que tem demandado grandes investimentos. Os autores do relatório alertam que o volume crescente de dívida pode exercer pressão sobre os juros longos dos Estados Unidos.

Como isso afeta o bolso do leitor

Para o leitor comum, essa dinâmica pode se traduzir em aumento dos custos de empréstimos e investimentos. Mesmo que os impactos ainda não sejam significativos hoje, a manutenção desse ritmo de emissões pode gerar movimentos mais duradouros nos juros longos, afetando desde financiamentos imobiliários até a renda dos títulos públicos.

Como isso pode me impactar?

Se os juros longos subirem, investidores que possuem títulos de longo prazo — como Tesouro Direto ou CDBs — podem enfrentar menor valorização de seus ativos. Além disso, consumidores que dependem de empréstimos com prazos longos (como financiamentos imobiliários) poderão sentir o impacto diretamente no custo mensal.

A emissão de dívida por essas empresas não se limita apenas aos seus próprios balanços. Veículos fora dos balanços, que também levantam recursos para financiar infraestrutura relacionada à IA, estão colocando entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões em títulos este ano. Isso pode dificultar a avaliação do risco por parte de investidores, aumentando a opacidade no mercado.

Outro ponto de atenção é o aumento nos compromissos fora dos balanços das empresas de tecnologia. Segundo uma estimativa da Moody’s citada no relatório, os contratos de arrendamento de data centers já superam US$ 1 trilhão em meados de 2026, sendo cerca de US$ 820 bilhões ainda não iniciados.

Essa opacidade pode dificultar a identificação da exposição real dos investidores ao risco. Um exemplo é uma seguradora que tenha títulos de uma empresa de tecnologia e dívidas de veículos que alugam infraestrutura para ela — nesse caso, a dependência financeira em relação à mesma companhia pode ser maior do que sugere sua posição no mercado.

O estudo alerta que, diante de momentos de crise, essa opacidade pode paralisar o mercado da dívida e dificultar a avaliação dos riscos. Além disso, as perdas podem afetar não apenas os investidores, mas também os bancos que concedem crédito para esses projetos.

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