O apoio governamental ao setor agrícola atingiu um novo recorde global em 2025, ultrapassando os US$ 950 bilhões. Esse aumento de mais de US$ 121 bilhões, ou 15%, nos últimos dois anos reflete uma mudança significativa no cenário internacional: países como a China e a Índia estão assumindo o papel principal na concessão de subsídios agrícolas, ao contrário do que ocorria há décadas, quando os Estados Unidos e a União Europeia dominavam esse tipo de apoio. Esses dados constam de um relatório divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que analisa as políticas agrícolas de 56 países.
A China se destaca como o maior beneficiário desse aumento, acumulando US$ 204 bilhões em transferências anuais aos agricultores entre 2023 e 2025. Esse valor representa quase 42% do total dos recursos destinados ao setor agrícola global no período, um salto considerável se comparado aos 7% de participação chinesa registrados em 2000-2002. A Índia também desempenha papel importante, com US$ 119 bilhões em transferências implícitas para consumidores e US$ 72 bilhões em apoio direto aos produtores.
Esse crescimento de subsídios agrícolas não está isento de impactos. O relatório da OCDE alerta que, mesmo com o aumento do comércio internacional (22% das calorias consumidas no mundo atravessam fronteiras), o ambiente político global se tornou mais fragmentado e incerto nos últimos anos, com mudanças nas tarifas aduaneiras, restrições às exportações e barreiras comerciais que prejudicam especialmente grandes produtores agrícolas como o Brasil. No país, os níveis de apoio e proteção à agricultura permanecem relativamente baixos, com a Estimativa de Apoio ao Produtor (ESP) caindo de 7,6% para 2,6% entre 2000-2002 e 2023-2025, respectivamente.
Como isso afeta o bolso do leitor
O aumento dos subsídios agrícolas tem impacto direto no preço dos alimentos. Em muitos países, as políticas de apoio aos agricultores elevam os preços internos acima dos níveis globais, reduzindo o poder de compra dos consumidores. Pelo relatório da OCDE, apenas 4,4% do gasto com produtos agrícolas é compensado por subsídios diretos aos consumidores, enquanto o restante recai sobre os próprios compradores.
Como isso pode me impactar?
Para quem vive em países onde os preços dos alimentos estão elevados, a mudança na estrutura de apoio governamental pode significar um aumento constante no orçamento familiar. No Brasil, mesmo com um setor agrícola competitivo globalmente, o baixo nível de subsídios diretos e proteção aos agricultores pode dificultar a manutenção de preços acessíveis para os consumidores.
Além disso, a OCDE recomenda que os governos busquem melhor direcionar os recursos agrícolas para práticas sustentáveis. No Brasil, o acesso ao crédito subsidiado já está mais condicionado a exigências ambientais, mas ainda há espaço para aumentar essa vinculação com políticas de desenvolvimento rural e proteção ambiental.
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