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Inteligência artificial no setor de seguros: oportunidades e desafios para o futuro

Fonte: Valor Econômico
Inteligência artificial no setor de seguros: oportunidades e desafios para o futuro

A inteligência artificial (IA) está se tornando um pilar estratégico no setor de seguros, segundo um estudo global da NTTDATA chamado Insurtech Global Outlook 2026. O relatório revela que 82% dos líderes do segmento consideram a IA como uma prioridade crítica e cerca de 90% das seguradoras já estão implementando ou testando soluções baseadas em algoritmos de machine learning.

O estudo destaca que, apesar da alta expectativa, apenas 22% das empresas têm sistemas de IA operando em escala. Muitas ainda estão presas em provas de conceito (PoCs), um estágio inicial onde se testa a viabilidade tecnológica antes de aplicar em operações reais. Para Hugo Assis, Head de Seguros da NTTDATA, isso acontece porque as seguradoras são empresas que gerenciam riscos — qualquer erro no uso da IA pode impactar diretamente o lucro.

Escalando a IA: desafios estruturais

O estudo aponta que escalar a IA não é apenas uma questão tecnológica, mas de reorganização operacional. Modelos que funcionam bem em testes precisam de novas arquiteturas para lidar com volumes maiores e situações reais do mercado. Isso envolve redesenhar fluxos de trabalho e mudar culturas organizacionais, não apenas automatizar tarefas repetitivas.

Empresas que já adotaram essa abordagem estão vendo resultados concretos: projetos da NTTDATA em seguradoras brasileiras relatam produtividade até três vezes maior, crescimento de receita entre 5% e 10%, e redução de despesas com regulação de sinistros em 20% a 25%.

Confiança equilibrada: o modelo ideal

O estudo propõe uma abordagem intermediária, que chama de “zona equilibrada de confiança”: usar a IA para velocidade e volume, mas deixar as decisões finais com profissionais humanos. “A IA fornece os dados necessários para que o especialista foque na auditoria e no raciocínio contextual”, explica Assis.

Esse modelo também atende aos consumidores: 40% dos clientes se sentem mais confiantes ao tomar decisões com IA se puderem recorrer a um atendimento humano. Para sustentar isso, o estudo recomenda uma governança de IA sob responsabilidade do CEO e do comitê executivo, não apenas de áreas específicas.

Governança e segurança: os pilares da escala

Outro ponto crucial é a criação de uma “Sala de controle de IA”, que registra e torna auditáveis as ações do sistema. Isso ajuda a mitigar vieses, garantir transparência e prevenir vazamentos de dados — um receio apontado por 34% dos executivos como maior desafio em cibersegurança para 2026.

Do copiloto ao orquestrador: os estágios da maturidade

A IA no setor de seguros evoluiu de assistentes que apenas interpretam informações (copilotos) para agentes autônomos capazes de tomar decisões dentro de regras pré-definidas. O estágio mais avançado é o da “IA orquestradora”, que se integra aos sistemas da seguradora, combina múltiplas fontes de dados e decide com base em variáveis complexas.

O estudo projeta que mais de 35% das seguradoras terão agentes de IA operando em pelo menos três funções-chave até o fim de 2026. As empresas que redesenharem processos completos ganharão vantagem competitiva, especialmente nas áreas de submissão de propostas e análise de sinistros.

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