A Europa viveu um verão extremamente quente em 2023, com temperaturas que ultrapassaram os 40°C, resultando em cerca de 36 mil mortes adicionais — mais do que o esperado com base na média histórica. O impacto foi agravado pela falta de preparação dos sistemas locais de saúde, que já estavam sobrecarregados e sem infraestrutura adequada para lidar com tamanha onda de calor.
No Reino Unido, hospitais tiveram que cancelar cirurgias por falhas em seus sistemas de refrigeração. Na Alemanha, muitos prontos-socorros ficaram sobrecarregados e sem ar-condicionado, pois a maioria das estruturas foi construída para resistir ao frio intenso, não à calor extremo.
No Brasil, o cenário não é diferente. Em 2024, ondas de calor, incêndios florestais e enchentes no Rio Grande do Sul resultaram em um aumento significativo de emergências médicas, doenças e óbitos — tudo isso em meio a unidades de saúde lotadas ou colapsadas por inundação. O que vemos é uma realidade global: sistemas de saúde não estão preparados para lidar com os desafios dos extremos climáticos.
A chegada do Super El Niño, prevista para 2024, traz novas preocupações para o Brasil. As chuvas intensas no Sul e parte do Sudeste podem causar enchentes e deslizamentos de terra, enquanto as secas prolongadas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste aumentam a frequência de ondas de calor, incêndios florestais e poluição do ar em regiões como Manaus.
Um estudo da Universidade de Chicago estimou que o calor associado ao El Niño pode resultar em até 13.300 mortes adicionais no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027 — um número alarmante, considerando os impactos globais previstos para esse período.
Além do aumento direto de óbitos, eventos climáticos extremos também agravam doenças infecciosas, respiratórias, cardiovasculares e renais. A sobrecarga nos sistemas de saúde pode levar à interrupção do tratamento de doenças crônicas ou oncológicas, além de dificultar o acesso a medicamentos e alimentos.
O Ministério da Saúde já lançou um plano de contingência para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos previstos do El Niño. No entanto, é fundamental que os investimentos sejam feitos com antecedência — antes mesmo das emergências ocorrerem.
Como isso afeta o bolso do leitor
O colapso de sistemas de saúde sobrecarregados pode ter impacto direto na vida dos cidadãos. Em situações extremas, como enchentes ou falhas no abastecimento de energia em hospitais, a falta de assistência médica pode resultar em agravamento de doenças crônicas, aumento de custos com tratamentos emergenciais e até mesmo perda de vidas.
Como isso pode me impactar?
Para o brasileiro comum, a preparação dos sistemas de saúde é fundamental. Em caso de emergências climáticas, como enchentes ou ondas de calor extremo, a falta de estrutura hospitalar adequada pode dificultar o acesso à saúde pública, aumentando custos e riscos para a população.
Construir um sistema de saúde resiliente exige investimentos em infraestrutura, preparação de equipes de emergência e estratégias de alerta e orientação para as populações mais vulneráveis. Além disso, é essencial garantir que hospitais sejam construídos com estruturas resistentes a desastres naturais, como enchentes e quedas de energia.
O El Niño não é apenas um evento climático isolado — ele é um sinal do futuro que o planeta enfrentará com mais frequência devido às mudanças climáticas. Para os brasileiros, isso significa que a preparação para os impactos dos extremos climáticos não pode esperar.
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