As montadoras japonesas Toyota, Honda, Nissan e Mazda estão enfrentando uma forte desaceleração na produção na China, um dos mercados mais importantes para elas. Entre abril e setembro de 2025, a produção combinada caiu 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 1,02 milhão de veículos — o menor volume desde 2008, segundo dados compilados pelo “Nikkei Asia”.
Esse declínio é parte de uma tendência mais ampla: a produção caiu quase 1,8 milhão de unidades em apenas seis anos, saindo de um pico de aproximadamente 2,8 milhões em 2020. A Honda foi a que sofreu o maior impacto, com uma queda de 60% na produção anual, totalizando 131.716 veículos — cerca de 90% abaixo do pico de 2020.
A transição global para carros elétricos e a desaceleração econômica na China estão sendo os principais fatores por trás da retração. O mercado de carros novos no país encolheu 22% entre janeiro e setembro, afetado também pela alta nos preços do petróleo. As vendas de veículos — excluindo os modelos elétricos — recuaram mais de 30% nos primeiros nove meses do ano.
Como isso afeta o bolso do leitor
Para quem mora na China ou depende da indústria automotiva, a queda na produção e nas vendas pode impactar diretamente o mercado de trabalho. Fornecedores e fornecedoras locais estão sendo pressionados pela concorrência de fabricantes chineses em preços, enquanto as montadoras japonesas enfrentam dificuldades para se adaptarem ao novo cenário.
Além disso, a dependência das montadoras japonesas por modelos movidos a gasolina — incluindo híbridos — as torna particularmente vulneráveis. As vendas de veículos elétricos da Honda caíram 62% no período, e a empresa adiou o lançamento do GT, seu principal modelo elétrico.
Como isso pode me impactar?
Para investidores que têm exposição a ações ou fundos de investimento relacionados às montadoras japonesas, a desaceleração na China pode gerar preocupações. O mercado chinês representa 17% das vendas globais da Toyota e 21% das da Nissan — o segundo maior mercado para ambas, atrás apenas dos Estados Unidos.
Diante do cenário, as montadoras estão buscando estratégias para se adaptarem, como a formação de parcerias com empresas chinesas e a aceleração no desenvolvimento de tecnologias elétricas. A Toyota, por exemplo, assinou uma aliança estratégica com Guangzhou Automobile Group e China FAW Group para reorganizar joint ventures e promover a eletrificação.
A desaceleração na produção e nas vendas pode ter impactos mais amplos no longo prazo. A Mobility Global prevê que a produção anual das quatro montadoras japonesas na China cairá ainda 47% até 2030, atingindo cerca de 1,6 milhão de veículos.
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