Um novo levantamento realizado pela consultoria Canopy Remote Sensing Solutions, em parceria com a Embrapa Florestas e Paulo Cardoso Comunicações, revela que a produtividade dos plantios de eucalipto no Brasil é cerca de 20% menor do que os números oficiais divulgados anualmente pelo setor. Essa diferença pode ter impacto significativo nas projeções de mercado para os próximos anos, especialmente em um momento em que a demanda por biomassa cresce mais rápido do que a oferta.
O estudo aponta que a produtividade média nacional estimada para o eucalipto aos sete anos de idade — quando atinge o momento de corte — é de 27,6 metros cúbicos por hectare por ano. Esse valor está abaixo do índice de 34,5 metros cúbicos por hectare por ano divulgado no último relatório anual da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). A diferença não se deve a imprecisões anteriores, mas ao aumento do escopo do estudo. Enquanto os anuários da Ibá baseiam-se em dados declaratórios das empresas associadas, que cobrem entre 60% e 70% da área no país, o novo levantamento mapeou a base nacional completa de plantios de eucalipto, que é de aproximadamente 8,3 milhões de hectares.
Segundo Fábio Gonçalves, cofundador e presidente da Canopy, as projeções anteriores sobre a oferta de madeira estavam otimistas demais. “Agora, temos uma expansão acelerada de usinas de etanol de milho que consomem biomassa sem ter feito um planejamento de plantio sete anos atrás. Todo mundo está concorrendo pela mesma madeira no mercado ‘spot’”, explica.
O estudo utilizou tecnologias avançadas como sensores remotos, inteligência artificial e LiDAR terrestre para mapear 622,8 mil talhões de eucalipto. Além disso, houve validação presencial em 204 municípios e 14 estados. A metodologia considerou também os cerca de 40% dos produtores independentes, cujos plantios geralmente têm um manejo menos tecnificado.
De acordo com Gonçalves, o setor está chegando a um ponto de estabilização da produtividade e apresenta ainda menores resultados em algumas regiões. A solução, segundo ele, passa por melhor planejamento, expansão da base florestal em áreas de pastagem degradadas e investimento em novos materiais genéticos resistentes às condições climáticas atuais.
Como isso afeta o bolso do leitor
A redução na produtividade dos plantios pode impactar os preços da madeira no mercado, especialmente para produtos derivados como papel e celulose. Com a oferta sendo menor do que a demanda, é possível que os custos aumentem, repercutindo em preços finais para o consumidor. Além disso, a dependência de áreas degradadas pode levar a um aumento no custo de produção, já que a conversão de pastagens em florestas exige investimentos maiores e maior tempo de adaptação.
Como isso pode me impactar?
Investidores e consumidores que compram produtos derivados do eucalipto, como papel, celulose ou biocombustíveis, podem sentir o impacto no preço desses itens. Além disso, a escassez de madeira pode afetar a disponibilidade de materiais em alguns setores da economia.
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